TVD x Internet.

Paulo Pietrobon em: TV Digital 3 Comentários »

Nossa perspectiva sobre um assunto nos leva a definir uma abordagem sobre ele. Para falarmos de TVD, por exemplo, eu poderia eleger uma perspectiva tecnológica, mercadológica ou técnica e ficar escrevendo livros sobre as tendências de mercado e os cenários futuros. Mas apesar de já ter lido muita coisa dentro deste espectro, opto pelo viés político-social. Porque? Simples: tudo que acontece na sociedade é político, mas poucos analisam o que acontece. As questões macro-estratégicas do Sistema Brasileiro de Televisão Digital já foram definidas e a possibilidade que existia de democratizar e tornar o mercado televisivo mais concorrido e plural já passou… Houve uma brecha, uma janela, um portal, mas foi fechado.  Meu caro amigo Daniel Fonseca comparou a TVD à internet. A comparação é factível em termos tecnológicos, mas quando olhamos pelas janelas das favelas e vemos as luzes coloridas dançando em sintonia, percebemos que a realidade do Brasil é outra. A TV é o óculos do povo, e vai continuar sendo. O entrave do computador não é meramente o preço: é uma questão de usabilidade. O esforço para introduzir a computação nas escolas públicas – usando softwares de interface mais amigáveis e jovens, capacitando os professores e adaptando os currículos das escolas – nunca teve êxito, por falta de continuidade. Falar em banda larga para o povão então… Eu acompanhei na Escola do Futuro da USP, em São Paulo, o desenvolvimento de protótipos de set top boxes (conversores) prontos para serem vendidos por R$ 100,00; acompanhei os estudos do Inatel para a disponibilização de internet via rede elétrica – o que possibilitaria inclusão digital via TVD e seria o canal de retorno da interatividade; acompanhei rios de dinheiro público serem investidos em projetos audaciosos, como a interligação das bibliotecas públicas e os Infocentros.  A TVD seria a janela da educação à distância, do governo eletrônico, da cidadania e da modernização. Todas as possibilidades da internet estariam disponíveis ao cidadão comum, dentro de uma interface já conhecida, a da TV. Nos idos de 2003 essa era a esperança, essa era a oportunidade de mudança. Tudo parecia estar convergindo para isso: um presidente ligado às lutas populares, um Ministro das Comunicações comprometido com os interesses do Brasil, a classe científica engajada e produzindo ótimos resultados… Parecia que já estava escrito. Cores diferentes sairiam de cada janela das favelas.  Mas o projeto mudou: vi tudo sendo engolido pela substituição do Ministro Miro Teixeira pelo Ministro Global Hélio Costa, pelos interesses internacionais, pelo desenvolvimento das estratégias de portas fechadas. Com a TVD que está chegando, no máximo teremos novas formas de escolher quem sai do Big Brother, e uma imagem melhor.  O YouTube, que é democrático e plural, continuará sendo minha diversão, a do Daniel e a dos nossos filhos. Os conteúdos que se vêem em canais fechados e na internet vão continuar assim, restritos, barrados pela desigualdade social, pela interface e pela usabilidade.


Meu Lado Premonitor

Daniel Fonseca em: Opinião, TV Digital Sem Comentários »

IM

Alguns amigos sabem que estive do lado de lá: no planejamento estratégico da Rede Globo e,  em especial, trabalhando sobre o tema  TV Digital.

Estes dias alguns deles têm me questionado sobre o que eu penso a respeito da TVDB, que tem data de estréia no próximo dia 2 de dezembro.

Eu vou repetir aqui o que penso a respeito.

Resposta curta: depende. Você está falando da tecnologia digital ou da TV digital do Hélio Costa? A mobilidade e a portabilidade da TV digital brasileira são promissoras. Mas o modelo implantado, um fracasso. Limitado, sem a mínima interatividade convicente. Já nasce morto. Porque não é universal e não faz frente à Internet. É um modelo híbrido fruto da ignorância e da ganância de alguns.

Esta é a má notícia, a boa é que outra TV digital já estreou há um bom tempo: na internet! Para acompanhar tudo que já rola na rede, a TV tradicional vai ter que correr e se virar. E como!

Minha TV digital é o Youtube e Cia. Assisto desenhos com meu filho, vejo musicais, documentários e até comerciais. Da minha televisão, somente assisto a TV convencional para ver eventos ao vivo e ouço noticiários (sim, pois em geral ou estou lendo jornal ou lendo alguma coisa na web).

E tenho dito! 

P.S. _ Se quiser ouvir alguém que sabe das coisas leia o Boni. Aqui. 


DA BÉLGICA A ÍNDIA, TUDO MUDOU!!!

Julio Souza em: Opinião, TV Digital, Tecnologia 1 Comentário »

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Que a tecnologia mudou o mundo e a sociedade, isso é fato, e contra fatos não há argumentos.

Apenas nos últimos dois anos, a humanidade gerou mais informação do que toda a sua historia. E não adianta tentar responder questionamentos novos com respostas velhas. É tapar o sol com a peneira.

Concordo com Guga (VP da Lodduca) quando ele diz que o Brasil é: Uma índia e uma Bélgica dividindo o mesmo espaço. Estamos em um país de terceiro mundo com exigências publicitárias de primeiro mundo.
Precisamos analisar a intensidade dessa mudança nos dois “brasí’s” , o quanto mudou para a Bélgica e o quanto mudou para a Índia. Nunca ouvi tanto sobre revolução, quanto ouvi nesse ultimo semestre. (TV DIGITAL, TWITTER, BLOG’ESFERA), mas será que para a Índia (90 % da população que tem renda familiar mensal até 3.000) essas mudanças foram e serão tão intensas? Será que a TV digital revolucionará de imediato essa população? Acredito que na Bélgica (os outros 10%), a revolução será maior e bem mais rápida. Vamos refletir e comentar.

Ah, adorei a idéia do CTRL F5, muito obrigado Daniel e todos os outros participantes e vamos gerar informação.

Abraço para todos.

Júlio