Nossa perspectiva sobre um assunto nos leva a definir uma abordagem sobre ele. Para falarmos de TVD, por exemplo, eu poderia eleger uma perspectiva tecnológica, mercadológica ou técnica e ficar escrevendo livros sobre as tendências de mercado e os cenários futuros. Mas apesar de já ter lido muita coisa dentro deste espectro, opto pelo viés político-social. Porque? Simples: tudo que acontece na sociedade é político, mas poucos analisam o que acontece. As questões macro-estratégicas do Sistema Brasileiro de Televisão Digital já foram definidas e a possibilidade que existia de democratizar e tornar o mercado televisivo mais concorrido e plural já passou… Houve uma brecha, uma janela, um portal, mas foi fechado. Meu caro amigo Daniel Fonseca comparou a TVD à internet. A comparação é factível em termos tecnológicos, mas quando olhamos pelas janelas das favelas e vemos as luzes coloridas dançando em sintonia, percebemos que a realidade do Brasil é outra. A TV é o óculos do povo, e vai continuar sendo. O entrave do computador não é meramente o preço: é uma questão de usabilidade. O esforço para introduzir a computação nas escolas públicas – usando softwares de interface mais amigáveis e jovens, capacitando os professores e adaptando os currículos das escolas – nunca teve êxito, por falta de continuidade. Falar em banda larga para o povão então… Eu acompanhei na Escola do Futuro da USP, em São Paulo, o desenvolvimento de protótipos de set top boxes (conversores) prontos para serem vendidos por R$ 100,00; acompanhei os estudos do Inatel para a disponibilização de internet via rede elétrica – o que possibilitaria inclusão digital via TVD e seria o canal de retorno da interatividade; acompanhei rios de dinheiro público serem investidos em projetos audaciosos, como a interligação das bibliotecas públicas e os Infocentros. A TVD seria a janela da educação à distância, do governo eletrônico, da cidadania e da modernização. Todas as possibilidades da internet estariam disponíveis ao cidadão comum, dentro de uma interface já conhecida, a da TV. Nos idos de 2003 essa era a esperança, essa era a oportunidade de mudança. Tudo parecia estar convergindo para isso: um presidente ligado às lutas populares, um Ministro das Comunicações comprometido com os interesses do Brasil, a classe científica engajada e produzindo ótimos resultados… Parecia que já estava escrito. Cores diferentes sairiam de cada janela das favelas. Mas o projeto mudou: vi tudo sendo engolido pela substituição do Ministro Miro Teixeira pelo Ministro Global Hélio Costa, pelos interesses internacionais, pelo desenvolvimento das estratégias de portas fechadas. Com a TVD que está chegando, no máximo teremos novas formas de escolher quem sai do Big Brother, e uma imagem melhor. O YouTube, que é democrático e plural, continuará sendo minha diversão, a do Daniel e a dos nossos filhos. Os conteúdos que se vêem em canais fechados e na internet vão continuar assim, restritos, barrados pela desigualdade social, pela interface e pela usabilidade.












08 Dezembro 2007 as 12:46 pm
Meu amigo Paulo,
Na verdade eu tenho me inspirado na história das grandes invenções para proferir meus proagnósticos futurísticos.
Vide a lâmpada, a eletricidade, a telefonia, o rádio…e para trazer para nossos dias: o mp3, o telefone celular, o DVD Player….
A popularização da web, da banda larga e da TVD é mera questão de tempo, me conta a história.
Dados recentes: 77% da classe C tem acesso de alguma forma à Internet. Em pouco tempo teremos acesso amplificado.
Os rincões ainda estão desconectados, mas a maioria da nossa população há muito tempo tornou-se urbana.
10 Dezembro 2007 as 4:29 am
Criei muita expectativa quando recebi o link do blog com o seguinte texto em anexo: “Um blog coletivo para trocar experiências, compartilhar novidades, desenvolver conceitos e promover o talento profissional do MERCADO BAIANO de comunicação. Aqui estarão / estão reunidos uma mostra do que de melhor o MERCADO DA BAHIA tem para oferecer.” Bacana a proposta. Mas cadê o mercado baiano no blog? Onde vocês citam a comunicação da Bahia? Não seria no post que mostra o site da OAB, né? Não deixem que esse seja mais espaço na internet que usa o CTRL+C em outros blogs e depois o CTRL+V aqui. Procurem falar mais diretamente da Bahia e do baianos. Vamos mostrar as coisas boas que fazem por aqui e promover espaços de debates sobre coisas feitas de maneira duvidosa (por favor, não coloquem textos do tipo: “Veja como são fabricadas as fitas do Senhor do Bonfim”).
Textos bons, ambiente agradável, posts frequentes… Mas sem novidade alguma. Tudo o que eu vi aqui, já tinha lido em outros sites de “curiosidades”. Pra não ser aporrinhador, esperei completar 1 mês do site pra poder fazer esse comentário.
10 Dezembro 2007 as 8:53 am
Baiano, vc tem toda razão.
Eu que fui um dos idealizadores do projeto estou frustrado quem dirá….
A verdade verdadeira é que o mercado não comprou a idéia e/ou nós não soubemos como fazê-lo.
Convite não faltaram. Profissionais das 10 maiores agências, das produtoras, agências web…
Muitos foram pessoalmente convidados. Receberam senhas, login, treinamento….e não compraram a idéia.
A culpa é nossa, porque não soubemos estimulá-los corretamente.
É tão frustrante que já pensei em encerrar este blog e partir para um novo modelo solo.
Mas ainda assim, afirmo sem receio de errar:
O mercado baiano é um celeiro de bons profissionais e de boas produções. Talvez ainda um tanto off line, mas cheio de brilho.